O Nosso Piloto Automático

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Controlo e melhoria em prol dos resultados que pretendemos alcançar

Cada vez se fala mais em estarmos a agir conforme o nosso Piloto Automático. E hoje vou falar-vos desse piloto automático.

  • O que é esse Piloto Automático?
  • Porque é que agimos sob Piloto Automático?
  • Quais as implicações de agir sob o Piloto Automático?
  • É possível viver fora do Piloto Automático?
  • Como melhorar o Piloto Automático?

Qualquer pensamento traz-nos uma emoção/sentimento, que nos deve levar a agir, e as nossas ações levam-nos aos resultados que temos na vida.

P => E/S => A = R

  • Bons resultados dependem de pensamentos que nos façam agir de acordo com os nossos objetivos.
  • E quando nos sentimos desmotivados, frustrados, culpados, sem autoestima ou quando nos sentimos incapazes? O que fazemos? Quais são os nossos resultados?
  • Nossa mente está sempre a gravar as decisões que tomamos em relação ao ambiente e ao que acontece nele.

Assim, quando uma criança está a aprender a lavar os dentes ela aprende os passos: molhar a escova, colocar pasta, esfregar os dentes um determinado numero de vezes, por água na boca, bochechar. Algumas instruções que não sendo simples nas primeiras vezes vai dando satisfação conseguir fazer. Essa recompensa emocional leva o cérebro a gravar este processo para que seja repetido sem ter de se pensar novamente no como.

Ou seja desde pequenos nossa mente vai criando um programa que é o nosso piloto automático.

P => P => E/S => A = R

Nesse programa estão desde hábitos simples como apertar os atacadores, tomar banho, conduzir uma bicicleta até aos mais complexos como conduzir um carro, falar e ler. Estão também as crenças (o que acreditamos como verdades absolutas) e valores.

Duas coisas motivam a mente a fazer esta programação.

  • A recompensa emocional porque nossa mente procura a nossa satisfação… Sabemos que quando estamos felizes nosso corpo vibra de forma saudável;
  • A poupança de energia pois a mente tem como uma das suas funções mais importantes poupar energia para sobreviver. E pensar racionalmente gasta energia. Quando fazemos algo que estamos habituados a fazer é sempre mais simples. Não é assim?

Quando queremos apertar um atacador tomamos a decisão de forma consciente e baixamo-nos e assim que temos as duas pontas do atacador na mão tudo o resto acontece por si. E nós podemos conversar ou pensar em outras coisas enquanto o programa acontece no nosso subconsciente.

Ao volante do carro vamos do serviço a casa sem nos darmos conta das decisões e ações que nosso subconsciente vai tomando. Quando vamos para um local diferente e não fazemos um pequenino esforço para ter em mente onde vamos, nossa mente subconsciente leva-nos a casa ou ao trabalho seguindo o caminho que mais usamos.

Neste caso, em que nosso subconsciente nos levou a um lugar diferente de onde queriamos ir, não estamos a atingir os nossos objetivos e temos um custo adicional para o corrigir. Isto me lembra quando minha mãe dizia “Fica atento ao que estás a fazer!”.

O que ativa os processos do Piloto Automático? Cheiros, toques, outros pensamentos, sons, palavras, frases… Isto porque nossa mente está sempre a associar o ambiente com o nosso estado de espirito e decisões que tomamos e porque perante ambientes semalhantes são despoletadas decisões gravadas de forma subconsciente. Por isso as fobias e muitas das alergias.

Vamos agora olhar para um outro caso onde nosso subconsciente pode fazer-nos agir de modo a não atingirmos nossos objetivos:

Um miúdo decide isolar-se perante um castigo do pai . Até aqui tudo bem. É a resposta que um miudo encontra ao sentir a falta de aprovação social. Se agora a mãe vai dar-lhe um carinho (compensação emocional) essa decisão será gravada e repetida… e a compensação pela ação será esperada.

Podemos dizer que este individuo aprendeu nesse momento como lidar com a falta de aprovação social.

Este padrão vai sendo reforçado a cada castigo ou algo interpretado como desaprovação social. Quando o professor o repreende, quando os amigos se riem por algum erro cometido ou até se a namorada acaba o relacionamento… Neste ponto pode ser que nem sempre encontre a recompensa esperada e começa a ter necessidades emocionais não correspondidas. Então este hábito deixa de ser útil.

Quando este individuo perde um emprego (novamente o sentimento de desaprovação social), isola-se triste e entra em depressão. O normal é pensarmos que entrou em depressão por ter perdido o emprego, não é assim? Mas será mesmo? Todas as pessoas que perdem o emprego ou se divorciam entram em depressão?

Porque ele entrou em depressão? Pela forma como ele lidou com a perda do emprego, não a perda do emprego em si.

Aprendemos grande parte dos nossos hábitos, crenças e valores quando éramos crianças e não tinhamos sequer capacidade para decidir se seriam ou não bons para nós. E nosso piloto automático trás eles hoje sem nosso envolvimento consciente.

E depois de fazermos coisas que não queremos arrependemo-nos, culpamo-nos. Estamos a ser justos connosco mesmos?

Claro que somos responsáveis pelo que fazemos e isso é diferente de culpa. O certo é que tudo isto nos chama a atenção para estarmos mais vigilantes sobre os nossos pensamentos, hábitos, crenças e valores e percebermos se eles nos levam a estados de espirito que nos motivam a fazer o que precisamos para alcançarmos os nossos objetivos.

Outra coisa que temos de ter em conta é que a mente, ao procurar rapidamente o nosso reequilíbrio quando estamos em estados de espirito menos bons, leva-nos, através do sistema de recompensa dopaminérgico, a executar ações associadas a intensas recompensas que estão na base da compulsão alimentar e dos vícios em geral. Estas ações pretendem uma recompensa imediata mas como sabemos a médio longo prazo elas tem o poder de trazer resultados drásticos.

Seria possível viver fora do piloto automático?

Para já Isso consumiria demasiada energia, seria contra natural, seria doloroso ter que recordar conscientemente todas as vezes como lavar os dentes, como ler… Diminuiria drasticamente a nossa capacidade de agir e realizar coisas. Então não tem como e nem é desejável.

Como já deves ter percebido, do que atrás escrevi, as nossas emoções estão na base quer da gravação dos programas no nosso piloto automático quer no despoletar dos pensamentos, decisões e ações subconscientes.

Durante muito tempo pensou-se ser possível separar as emoções das nossas decisões e atividades pensando que elas atrapalhavam. No entanto as emoções são muito importantes no nosso sucesso. Elas participam na nossa motivação (Não confundir com empolgação que é desejo sem necessariamente ação enquanto motivação é motivo para a ação), na nossa autoestima e autoconfiança.

Também os pais que não aprenderem a criar momentos de intensidade emocional com os filhos onde se sinta alegria, conforto e segurança serão lembrados como pais ausentes ou austeros mesmo que tenham dedicado a vida a dar abundância a estes filhos. (Grande parte dos casos que atendo tem a ver com esta falta de ligação e identidade emocional).

A nossa capacidade de aprendizagem e memoria está intimamente ligada às nossas emoções. Quando estudamos e praticamos o que gostamos mais facilmente aprendemos e mais essa aprendizagem dura. Tudo o que lembramos de mais antigo tem sempre associado emoção com bons ou maus sentimentos.

Temos a máquina mais perfeita do mundo e que no entanto veio sem manual de instruções. A magia está em aprender a lidar com as emoções pois, quando bem utilizadas, elas são excelentes aliadas.

Também é importante tomarmos consciência de que agimos a maior parte do tempo sob piloto automático e que por isso é importante que esse piloto automático esteja afinado . É magnifico quando aprendemos a lidar com ele.

E afinar o piloto automático significa:

  • Perceber o que nos faz sentir intranquilos (pensamentos valores e crenças) e que respostas estamos inconscientemente a dar aos gatilhos emocionais.
  • Perceber qual a intenção que está por de trás dos gatilhos reações. Nosso subconsciente através da função SAR (Sistema de Ativação Reticular) faz de tudo para trazer mais do que é importante para nós. Podemos sempre encontrar formas diferentes de satisfazer essas necessidades emocionais com respostas alinhadas ao modo como conscientemente pretendemos agir e alcançar objetivos.
  • Festejar intensamente nossos sucessos ajuda. Repetir conscientemente decisões e ações para facilitar a criação e priorização dos novos hábitos. Os hábitos funcionam como “músculos” e como sabemos quanto mais trabalharmos uns músculos em detrimento de outros mais os fortalecemos enfraquecendo os que não queremos usar.

Concluindo, nosso piloto automático é um maravilhoso presente e o segredo é aprender a trabalhar com ele.

A hipnoterapia e a PNL juntas ajudam de forma efetiva a encontrar os programas que não estão a funcionar a nosso favor e a acelerar as mudanças do mesmo.

Escrito Por: Pedro Neves | Hipnoterapeuta

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Pedro Neves

Autor Desde:  24/01/2020

Pedro Neves é formado em Hipnoterapia avançada OMNI, Hipnoterapia avançada Ericksoniana, Hipnoterapia para dores crónicas e é Master Practitioner em PNL (Programação Neurolinguística).

No seu dia a dia trabalha na melhoria da saúde emocional em geral.

Recebe normalmente pessoas deprimidas, com crises de ansiedade, em estado de baixa auto-estima, com sentimento de culpa e vergonha, com compulsão alimentar, traumas de relacionamentos entre outras e é gratificante a mudança observada logo nas primeiras sessões.

Apaixonado pela mente humana, chegou à hipnoterapia pesquisando sobre o controlo da dor. Desde então a busca por leitura e formação do mais elevado nível têm sido uma constante, de forma a poder trazer para si e para os seus clientes o melhor que há.

Num processo individual de transformação, Pedro emagreceu 51 Kg atingindo o peso que determinou ser o seu peso ideal e mantendo-o desde então.

Hoje, Pedro ajuda pessoas a libertarem-se e a encontrarem a sua melhor versão, possibilitando a estas sentirem-se mais úteis, capazes, alegres, a relacionarem-se melhor consigo e com os demais, com saúde e melhor qualidade de vida.

Pedro tem liderado palestras sobre técnicas de Auto-Transformação e presentemente dá Sessões Online.

O seu trabalho como Terapeuta inclui tratamento sobre as causas de:

- Ansiedade;
- Depressão;
- Compulsão alimentar;
- Dores crónicas;
- Medo e Fobias;
- Traumas;
- Procrastinação, Autoestima e Autoconfiança.