Declara Aliança a Ti Mesmo(a)

self-reflection

Lembras-te daquela vez em que estavas tão feliz que não tinhas palavras para descrever o que sentias? Ou daquela vez que sentiste tanto medo que tremeste como uma vara ao vento? (Bem, pelo menos no interior.) Ou ainda quando te sentiste desesperado por alguma coisa ou perdidamente apaixonado(a) por aquela pessoa que não consegues esquecer?

Consegues ver alguma coisa em comum em todas essas situações? Reconheces a pessoa que sempre esteve contigo, mesmo quando as pessoas mais próximas e queridas não puderam estar? A pessoa que esteve contigo mesmo antes de abandonares o ventre da tua  mãe e que vai continuar contigo pelo menos até que a morte vos separe? Sim, acertaste. Estou a falar de ti mesmo(a).

Desde que te conheces como gente, algo mantém-se constante apesar de todas as mudanças a que o teu corpo e mente estão sujeitos, isso é, a consciência que acompanha essas mudanças. Por mais que tenhas tentado a vida toda fugir de ti mesmo(a) de todas as maneiras possíveis e imaginárias, a consciência do teu ser sempre te acompanhou.

Essa consciência é algo que têm testemunhado desde os teus momentos mais públicos aos mais íntimos. Os teus altos e baixos; os sabores e dissabores; os prazeres e as dores. Nenhuma outra pessoa esteve tão presente para ti como tu mesmo(a).

O teu corpo – resultado da combinação dos corpos dos teus pais, que por sua vez foram combinação dos corpos dos pais de cada um deles e dos corpos dos pais de cada um dos pais de cada um dos teus pais e assim sucessivamete – tem estado a trabalhar toda a tua vida para te servir, para te dar uma experiência humana de carne e osso. Tu tens acompanhado todas as suas fases, por dentro e por fora, mas aquilo em ti que acompanha mantém-se o mesmo.

A tua mente – resultado do condicionamento social, centro de toda a criatividade e destrutividade que há em ti – também tem estado a mudar e a seguir as tuas ordens (conscientes e inconscientes). A sua função primária é servir-te, mesmo que te tenhas esquecido disso. Tu é que decides se é para construir ou destruir.

Eis aqui o perigo! Foste condicionado(a) a criticar a ti mesmo(a) quando sentes que falhas ou que és menos do que perfeito(a) e a considerar as tuas vitórias como banais e insuficientes.

Foste condicionado(a) a ver o teu valor comparando-te com os outros. Foste condicionado(a) a competir e a julgar; e por ser a estratégia que usas para ti, é a estratégia que usas para os outros, porque reconheces no fundo que os outros são o teu reflexo por também serem imperfeitos.

Foste condicionado(a) a tentar amar o próximo e rejeitar os teus próprios defeitos e por isso não consegues deixar de rejeitar os defeitos dos outros. Ganhaste um complexo de inferioridade que se activa quando alguma situação ou pessoa na tua vida desencadeia o processo e por isso precisas te distrair olhando para todas as direções possíveis, menos na tua própria, para não veres a ferida que carregas por dentro.

Estás preso(a) entre a ilusão de querer controlar e mudar todo o mundo e a realidade da impossibilidade dessa missão; preso(a) entre o alívio temporário trazido pela presença daquilo que consideras desejável e a resistência àquilo que te desagrada e tentas evitar.

Eis aqui a esperança! Quando te aperceberes que a chuva não deixará de cair às vezes somente porque a tua atitude perante ela é de repulsa e nem o sol brilhará quando ordenares só porque tens uma atitude de predileção perante ele, mas sim porque a intercalação desses fenómenos naturais segue também leis naturais, fora do teu controle e quando te aperceberes que tu só tens controle sobre a tua atitude, terás a possibilidade de agir consciente e inteligentemente em prol da tua paz e auto-realização. Poderás fazer o melhor que puderes de acordo com a tua realidade.

Acorda e apercebe-te que a tua realidade é criada por ti e que tu podes ser ou o teu pior inimigo ou o teu melhor amigo e ainda todos os 50 tons de amizade entre os extremos. Cuida do teu corpo para que ele possa cuidar ainda mais de ti. Cuida da tua mente para que ela te possa ajudar a criar e não a destruir. Declara aliança a ti mesmo e o teu exército pessoal será forte e luminoso.

Lembra-te: os outros só têm o poder sobre ti que tu permites que eles tenham – consciente ou inconscientemente. Se procuras incensantemente por um(a), parceiro(a) salvador(a) ou aliado(a) para o resto da vida que te vai motivar, encorajar, proteger, respeitar e amar, então declara aliança a ti mesmo(a). É só com uma aliança verdadeira a ti mesmo(a) que vais conseguir te aliar aos outros, pois só podemos aos outros dar aquilo que nós próprios temos.

—–

Por: LP Akshar Almeida | Terapeuta Tântrico
Avatar

Luis Paulo Almeida

Autor Desde:  04/08/2019

Luis Paulo é Terapeuta Holístico, formado no OSHO International Meditation Resort, Índia e no Centro Metamorfose, Brasil. Na sua abordagem holística de cura e desenvolvimento pessoal, trabalha com Meditações Activas OSHO, Terapia Tântrica, Reiki e Tarô Zen de OSHO.
Nascido em Moçambique, formado em Tradução de Português, Inglês e Alemão, é também instrutor de Taekwon-Do e tem-se dedicado desde 2012 ao auto-conhecimento e à ciência da transformação interior, sempre desenvolvendo-se através de leituras, vivências e cursos.
Luis Paulo tem dado várias palestras e workshops sobre o Tantra e sobre as Meditações Activas Osho, em Moçambique e no Brasil.